A psicanálise surgiu no fim do século XIX e início do século XX. A teoria psicanalítica foi formulada por Freud que, em 1900 publicou sua obra “A interpretação dos sonhos”, a primeira considerada psicanalítica.

O desenvolvimento da psicanálise está relacionado ao contexto cultural do início do século XX, época de grandes transformações no mundo.

Freud criou a psicanálise quando tentava compreender a histeria, deparando-se com a questão da sexualidade humana levando-o ao conceito de inconsciente, base da teoria psicanalítica.

Suas teorizações sobre o sofrimento psíquico resultaram na criação da teoria psicanalítica, e após o conceito de inconsciente, desenvolveu outras formulações importantes como o conceito de libido, o complexo de édipo e a constituição do aparelho psíquico.

Conforme a psicanalise foi sendo difundida, novos adeptos e pesquisadores deram continuidade às pesquisas de Freud. Aos poucos pequenos grupos de psicanalistas se formaram em busca de autolegitimação e reconhecimento no quadro de um movimento psicanalítico cada vez mais extenso e impessoal.

Do Freud à Lacan

Depois de Freud, a psicanálise recebeu novas leituras. Novos autores psicanalíticos ganharam importância com suas teorias formuladas a partir das ideias de Freud.

Alguns autores começaram a discordar de algumas das ideias de Freud, como Jung, por exemplo, eleito por Freud como o grande representante não judeu da psicanalise, que criticou o dualismo pulsional freudiano e a extensão teórica assumida pelo papel da sexualidade.

A psicanálise começou a crescer internacionalmente. A obra de Freud foi traduzida e estudada em diversos países. A partir desse momento, diversas vertentes da psicanálise foram sendo criadas, como a clínica com crianças e o tratamento de psicóticos.

Fatores como a duração da análise, suas técnicas e sua ética tornaram-se foco de debates e pesquisas dos psicanalistas. A partir da década de 1930, a IPA (International Psychoanalytical Association) voltou seus esforços para a consolidação normativa da psicanálise delimitando critérios profissionais.

Após a segunda guerra mundial, a psicanálise passou por outra importante fase de propagação. A guerra contribuiu com a dispersão de analistas pelo mundo e países como Austrália, Argentina e Brasil, começaram a receber analistas praticantes.

A psicanálise na Inglaterra, França e Estados Unidos

Na Inglaterra, autores como Anna Freud e Melanie Klein, iniciaram vertentes criadas a partir dos preceitos freudianos. O ‘Kleinismo’ caracterizou-se a partir de sua reinterpretação do Complexo de Édipo, conferindo uma maior importância à pulsão de morte e agressividade.

Nos Estados Unidos, a psicanálise tomou rumos mais ligados a realidade e menos a sexualidade, dando origem a movimentos como a Psicologia do Eu, por exemplo.

Na França, em meia a efervescência cultural e intelectual do pós-guerra francês, num contexto de refundação da psicanálise, apareceu Lacan, que levou a psicanálise a uma forte interlocução com a ciência e a arte. Lacan buscou legitimar sua nova concepção de inconsciente nos próprios conceitos freudianos.

A expansão dos três grandes grupos da psicanálise, o americano, o francês e o inglês acabaram por trazer novos contornos a teoria psicanalítica. Nos dias de hoje, a psicanálise segue sendo uma importante referência para aqueles que optem pelo trabalho clínico. A psicanálise passou a fazer parte da cultura ocidental, tornando-se parte indissociável do conhecimento do ser humano enquanto sujeito.