O cinema, em seu contexto histórico, é um marco importante da humanidade. É através dele e das suas “histórias” que os homens conseguem “sonhar acordado”. A sua relação com a psicanálise é devido ao seu papel atuante no fundo do inconsciente humano, pois o cinema tem a capacidade de tocar no homem em seu espaço mais íntimo e puro da sua natureza. Ele é caracterizado pela união de fotogramas para dar a ideia de movimento da cena, assim como na psicanálise, que reúne fragmentos de imagens provenientes do inconsciente do paciente para conseguir formar a cena e o cenário e, assim, chegar ao ponto crítico do seu problema.

Além do que foi citado acima, a psicanálise e o cinema possuem outros pontos em comum, sendo um deles as suas relações com os sonhos. O cinema tem frequente associação com um sentimento de desejo reprimido, algo que pode estar preso em nossa mente, classificado como sonho, devido a isso que conseguimos ter tanta proximidade com esse tipo de arte. A sua linguagem permite que a psicanálise faça uma correlação com a sua própria evolução, se adequando, junto dos seus tratamentos, com as mudanças sociais e culturais.

A psicanálise se propõe a lidar com as frustrações e dores, sentimentos incompreendidos que ocorrem dentro do nosso sistema consciente – inconsciente e o cinema trabalha com isso de forma primorosa, conseguindo traduzir em suas cenas criadas diversas situações reais, as quais podem estar totalmente relacionadas com a nossa própria noção de eu. Em outras palavras, para alguns estudiosos, o cinema e a psicanálise se relacionam por compactuar ideias, como uma produção ideológica capaz de controlar ou manipular imagens.

O cinema e o inconsciente

A junção das artes, sobretudo destacando o cinema, é um privilégio cultural que podemos utilizar como meio de reflexão acerca do individuo contemporâneo. Ele trabalha com o nosso inconsciente frequentemente, assim como se trabalha nas sessões no tratamento psicanalítico. Sendo assim, é claramente possível que o psicanalista faça uso do movimento cinematográfico para conseguir reconhecer o tempo e o ritmo do discurso dado pelo paciente no trabalho clínico. O sujeito é constituído em uma linha fictícia. Porém essa ficção não deixa de ser, necessariamente, uma cena, nem tanto o sonho deixa de se caracterizar como um drama imaginário no qual a narrativa será, assim para Freud, o caminho para o inconsciente.

Como ocorre na produção do cinema, aspectos como a escolha dos personagens, a criação do roteiro e a sua configuração intercalada com as demais cenas que aparecerão no filme, na psicanálise fazem parte do o processo executado e tem suas semelhanças quando se faz necessário conhecer os personagens envolvidos, neste caso o sujeito principal, o analisado, e os outros sujeitos ou objetos adjacentes que tenham importância relativa para o transtorno apresentado, como também o entendimento do roteiro, a partir da fala do paciente, para então ser capaz de idealizar a cena ou as cenas que rodeiam todos esses acontecimentos que permeiam o inconsciente do indivíduo.

Adentro desse contexto, pode se caracterizar a lógica do significante, que se relaciona com a origem do sujeito. Com essa lógica, é possível tornar o discurso do analista em seu trabalho clínico formal, o caracterizando como consequência de um diálogo entre o analisado e o analista.

Geralmente, produzir um filme implica em um esforço estimado com a dedicação de horas nas gravações, em cortes que formarão os fragmentos para a junção das cenas. Podemos, então, associar essas tarefas na psicanálise com a natureza filtrada dentro de uma análise. Sendo que nas duas áreas, o parecer crítico e o entendimento acerca da obra se dão pelo sujeito externo, que observa a continuação das cenas atentamente para a sua compreensão, algo que é exclusivo de cada pessoa.

A psicanálise tem relação com tudo que convivemos e encontramos ao nosso redor, tanto no campo externo quanto interno do nosso ser. A sua importância para a sociedade é relevante e o seu conhecimento é fundamental para a evolução.

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