Em todos os processos evolutivos que passamos ao longo da vida, o ser humano sofre algum tipo de ruptura ou frustração, e no seu primeiro, o nascimento, não é diferente. O Trauma do Nascimento é um dos temas mais recorrentes no universo da psicanálise. Seu conceito consiste no estudo da psique do bebê enquanto feto e as circunstâncias que envolvem o seu nascimento, em outras palavras, em como essas situações gravadas na sua mente podem ressurgir de modo representativo no futuro. Otto Rank, o responsável por tal conceito, afirma que estamos sempre tentando restabelecer o universo vivido quando feto, na existência intrauterina, isso se deve ao fato da “sensação” de imunidade a dores e sofrimentos que esse período causa durante nosso desenvolvimento fetal.

Um fato relevante que leva os estudiosos a se referir cada vez mais ao trauma do nascimento é o aumento considerável de nascimentos prematuros. Isso porque esse comportamento poderia (ou seria) reflexo de uma ruptura – trauma – na natividade.

O Trauma do Nascimento, segundo Freud

Freud afirmava: “Não podemos certamente pressupor que o feto possui qualquer espécie de conhecimento de que está correndo o perigo de “aniquilamen­to; o feto só pode sentir uma perturbação geral na economia de sua libido narcisista.”. Isto é, ele alegava que o bebê era incapaz de qualquer possibilidade de reconhecimento da sua mãe como um objeto, portanto, não teria a capacidade de encarar o ato de nascer como um processo de ruptura, onde o mesmo se desligava da sua mãe. Assim sendo, o sentimento de trauma que o mesmo vivenciasse em relação à falta ou afastamento da mãe não teria ligação com o ocorrido durante o nascimento, sendo, portanto, sentimentos diferentes, já que não existiria um objeto e, então, a falta do mesmo seria incoerente. Ele, também, afirmava que o ato de nascer seria nossa primeira experiência veiculada à ansiedade, logo, conheceríamos este sentimento e não o de trauma. Para o mesmo, a ansiedade e a angústia eram sentimentos que independiam da existência de qualquer objeto. Conheça mais sobre Freud clicando aqui.

Para entendermos mais a fundo do assunto, podemos tomar como foco os períodos perinatais conceituada por Stanislav Groff.

Matriz Perinatal Básica I

Esta se refere ao intervalo existente desde a formação do feto. Consiste nas experiências sucedidas até o momento do seu nascimento. Devido à ligação entre o feto e a sua mãe, este período é caracterizado pela falta de limites, sendo indiferente a dissociação dos mesmos como dois seres. Já que partilham dos mesmos nutrientes, mesmo oxigênio e até a mesma circulação sanguínea que eles compartilham mútua e simultaneamente.

Matriz Perinatal Básica II

Este período se refere com o momento marcado pela decisão do bebê de nascer, de que já é a sua hora de vir e conhecer o mundo. É um lapso marcado, principalmente, pela pressão sofrida pelo bebê, já que o útero o pressiona por trás, mas a sua passagem pelo colo do útero ainda não está aberta e o seu acesso se torna difícil e fatigante.

Matriz Perinatal Básica III

Esta matriz está relacionada ao momento em que ocorre o parto, onde o bebê consegue ultrapassar os limites do útero para, enfim, nascer. Essa fase abrange as pressões sofridas pelo feto decorrentes do movimentos que o útero faz para conseguir empurrá-lo para fora. É um processo de dores e, por vezes, instantes de asfixia para o bebê.

Matriz Perinatal Básica IV

Esta diz respeito ao nascimento, assim já ocorrido. É marcado pelas situações posteriores ao ato de nascer, como os cuidados e carinho recebidos pela sua mãe. Ainda marcado, também, por diversas ramificações de sentimentos. Se o parto foi bem-sucedido, sem algum tipo de interferência danosa, logo as memórias pertinentes serão as melhores. Mas há, também, procedimentos que, mesmo necessários, prejudicam o bebê de alguma forma e, então, deixando traumas no mesmo, que podem reaparecer posteriormente.

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